Na aula


Patrimônio abandonado
abril 24, 2008, 9:19 pm
Filed under: Jornalismo Comunitário

abandono total

Um dos mais belos recantos de Porto Alegre está ruindo, esquecido pelas autoridades responsáveis. A escadaria da Rua João Manoel, no Centro da cidade, impressiona pela beleza, mas também pela falta de manutenção. Os degraus apresentam falhas, as plantas não são aparadas, as pichações cobrem as paredes e o cheiro de urina beira o insuportável. “O DMLU passa de vez em quando, lava com aqueles mangueirões, mas no outro dia o cheiro ruim volta”, conta Jaqueline Fernandes, comerciante.

Lixo e pichações fazem parte da paisagemA escadaria, construída em 1928 para facilitar a circulação no antigo Morro da Formiga, foi projetada pelo arquiteto Christiano de La Paix Gilbert e é feita de alvenaria, tijolos e pedras. Antônio Fernandes, marido de Jaqueline, acredita que a área poderia ser explorada como ponto turístico. “Há tempos atrás, abriram uma pizzaria lá no topo. Mas o pessoal tinha medo de chegar e ir embora, e o restaurante acabou fechando por causa da falta de clientes. De noite, isso vira terra de ninguém”, afirma, reclamando também da falta de iluminação no local.

Igualmente preocupante é a falta de segurança no local, que há muito tempo deixou de ser ponto de ligação entre as ruas Duque de Caxias e Fernando Machado. Jovens estudantes usam drogas no local após as aulas em colégios próximos, certos de que não serão apanhados. A Brigada Militar, que mantém um batalhão há menos de uma quadra de distância do local, está ciente do problema. “A maioria das ocorrências naquele local são referentes ao consumo de drogas”, conta o Sargento Leiria. O oficial, no entanto, afirma não ter conhecimento sobre as denúncias de prostituição no local, feitas por uma moradora que prefere não ser identificada. “Não podemos saber dos fatos se a população não nos comunica”, disse. Ocorrências de assaltos não são frequentes na área por um motivo simples: “Ninguém quer passar por ali”, lamenta Jaqueline.

Porém, alguns moradores da área se organizam para reverter essa situação. O Movimento Viva Gasômetro, que clama pela revitalização do centro da cidade, organiza ações para que a escadaria seja restaurada e a área volte a ser desfrutada pelos moradores. No dia 03 de novembro do ano passado, a coordenadora do movimento Jaqueline Sanchotene esteve no local e, junto com alguns colaboradores, limpou e pintou o local. Talvez seja esse o caminho da recuperação da Escadaria da João Manoel: a união da comunidade.


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Praia da Pinheira: O paraíso fica a seis horas de carro
abril 3, 2008, 11:42 pm
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Nós, os gaúchos, sofremos. Nossa república, tão bela e próspera, só carece de um pequeno detalhe para que a gente não precise sair daqui para nada, nunca mais: belas praias. Nosso litoral é plano, sem vegetação, sem atrativos e sem charme. Mas basta um pulo para invadirmos o litoral catarinense, praticamente uma extensão do Rio Grande do Sul. Porém, esqueça os destinos tradicionais: nada de Floripa, praia do Rosa, Bombinhas. Bacana é descobrir praias pequenas, vilas de pescadores, enfim, locais ainda não tomados pelos turistas. Uma boa pedida é a Praia da Pinheira, no município de Palhoça.
Distante cerca de 400 quilômetros de Porto Alegre, a Praia da Pinheira é uma vila de pescadores durante o ano e um refúgio para turistas que procuram tranquilidade na alta temporada. Mesmo com as pousadas lotadas, a praia mantém um clima familiar que agrada até aos mais baladeiros. O mar é calmo, sem ondas, límpido. Nadar na Pinheira é uma experiência que aproxima qualquer ateu de Deus. É impossível não se deslumbrar com a natureza exuberante. Dar comida para um peixe é uma sensação indescritível, e lá isso é possível. Mais do que isso, é fácil. Os morros cheios de trilhas são uma boa pedida para os aventureiros (só tomem cuidado com as vacas, não muito amigáveis).
A Pinheira é dividida pela bela Praia de Baixo (na foto), com quadras esportivas e barcos atracados na beira da praia e pela Praia de Cima, cercada por morros e pedras que criam um visual deslumbrante. Os visitantes têm algumas boas opções de lazer: a Pinheira tem lojinhas de artesanato, bons bares e restaurantes e passeios de escuna pelas ilhas próximas. Além, é claro, da efervescência noturna da Guarda do Embaú, onde a gente chega após 15 minutos de caminhada.
Além das pousadas, uma boa opção de hospedagem é o Camping do Tio Nico, com infra-estrutura completa e atendimento caprichado. Ônibus diretos saem da rodoviária de Porto Alegre diariamente. Vale a pena conhecer, sair da rotina. É mais barato, e muito mais relaxante do que qualquer SPA.
Vista aérea da Praia da Pinheira – by Google Earth 
Ficou com água na boca? Muitas fotos da Pinheira!


As formigas somos nozes (ou sistemas emergentes for dummies)
março 23, 2008, 11:05 pm
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Espero que o caro leitor deste post não se ofenda. Mas a verdade é que na internet somos todos insetos. Formigas, para ser mais exata. O modelo da hierarquia clássica, ou top-down, onde a formiga-rainha (ou os publicitários, ou os editores dos portais) ditava o comportamento de toda a comunidade, acabou. Claro que tem muito jornal que ainda não acompanhou a evolução, e estes tendem a se tornar obsoletos (sem links para não ofender editores para os quais eu por acaso possa estar trabalhando atualmente). Outros, até tentam acompanhar as tendências da web 2.0, mas o tiro acaba saindo pela culatra. A formiga-mestra está lá, sentada no seu trono, esperando pela comida (ou pelo ouro proveniente dos anunciantes menos antenados), enquanto nós formiguinhas nos divertimos, construindo redes sociais, lendo conteúdo indicado especialmente para nós (e passando adiante, claro, pois nenhuma formiga é feliz sozinha) e comprando de empresas que reconhecem as nossas necessidades. Nós, pequenos insetos, construímos muita coisa em parceria, mas também gostamos de ser reconhecidos como indivíduos singulares. Enquanto a toda-poderosa mantém a pose, nos auto-organizamos em sistemas que tornam o nosso humilde formigueiro uma sociedade de alto-nível, onde tudo funciona sem que haja uma autoridade clara.
Você, caro leitor, deve estar pensando que eu comi chocolate demais nesta páscoa. Mas o culpado pela comparação entre o sistema das formigas e os sistemas emergentes é o semiótico e especialista em literatura inglesa Steve Johnson, que linkou suas idéias no livro “Emergência”. Sim, formigas e usuários de internet têm muito em comum, se levarmos em consideração os serviços onde os usuários determinam os conteúdos. Ou então os sistemas onde o conteúdo é definido de acordo com as preferências destes usuários, como o Last.fm. Johnson, considerado um dos grandes pensadores do cyber-espaço, defende em seu texto o sistema botton-up, onde as ações e idéias do usuário comum, como eu e você, vai definir os rumos da grande rede. A única preocupação do autor, no entanto, é com o crescimento desordenado da rede. Como já sabemos, a cada dia uma infinidade de conteúdos é despejada na internet. Porém, sistemas inteligentes como o Alexa prometem separar o joio do trigo e guiar o usuário médio.
Serviços como o You Tube, o StumbleUpon e o Last.fm já demonstram a força de cada formiguinha na grande rede. Cada vídeo que assistimos, cada música que ouvimos, ou cada texto que indicamos faz diferença no contexto global destes sites. Nossa opinião, somada à opinião dos demais usuários, pode alçar um produto ao topo de um ranking, onde chamará a atenção de outros. Essa bola de neve também é utilizada por algumas empresas, que utilizam o marketing viral para gerar falatório sobre seus produtos. O Last.fm vai mais fundo no princípio dos sistemas emergentes ao utilizar um software que reconhece os padrões dos usuários para testar sua compatibilidade com outros ouvintes e também para oferecer produtos que se encaixem em seu gosto pessoal, conforme já falei em outro post. Falando em compatibilidade, vou agora me afogar em chocolate. Fiquei triste por não ser compatível com o KIDcatholic.


As formiguinhas do Last.fm
março 23, 2008, 9:13 pm
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Vivemos em uma época prolífera em redes sociais. Algumas, como os nacionais Beltrano e Gazzag (alguém lembra?), não emplacaram. Outras, como o Orkut, o Twitter e o My Space, fizeram um sucesso tremendo e se consolidaram como um espaço de troca e relacionamento entre pessoas com interesses comuns na rede. Entretanto, poucas são tão colaborativas quanto o Last.fm, onde a participação e contribuição dos usuários transforma o conteúdo a cada dia.

Os ouvintes da “revolução musical e social” não apenas carregam suas músicas (com apenas 30 segundos, para não ferir as leis de direitos autorais) e vídeos, como montam playlists, divulgam eventos e tagueiam as canções. Nós somos as formiguinhas, e construímos o site diariamente. O bacana da história é que, como Steve Johnson havia pregado em sua teoria dos sistemas emergentes, o software por trás do Last.fm analisa todo o movimento do usuário na rede para sugerir bandas, eventos e vídeos que se encaixam no seu gosto musical e em sua localização física. As possibilidades são infinitas, e tentar listá-las aqui só tornaria esse texto maçante. O legal é sair clicando e descobrir o que o site nos oferece.

Mais bacana ainda é que não precisamos nem estar logados no site para construir nosso histórico de bandas e músicas favoritas. Basta instalar o plugin do Last.fm no seu computador para que todas as músicas do nosso HD constem nas estatísticas para que um perfil mais preciso seja construído. Como vocês podem ver na imagem ao lado, basta o plugin para que a gente adicione mais faixas à nossa playlist e indique as nossas favoritas. E ele, eu garanto, torna a experiência do site muito mais completa e prazerosa. Melhor ainda: se você curte porcarias, pode desativar o plugin e ouvir axé a vontade, que ninguém vai saber.

Ah, sim, podemos adicionar amigos e enviar recadinhos, como em qualquer rede social. Mas essa é a menor das atrações do Last.fm, um prato cheio para os amantes de música e de tecnologia. Mas pode me adicionar à vontade!

 



Agendamento no panamericano?
junho 26, 2007, 5:03 am
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E aí, caro leitor, como está a preparação para o panamericano na sua casa? Já comprou bandeiras do Brasil para decorar a sala? Não??? Pois não se sinta excluído: o povo ainda não está no clima da competição. Com exceção, claro, da Rede Globo e dos maiores jornais do país.

Para fechar as cotas de patrocínio, desde o ano passado a emissora exibe anúncios e promove eventos para criar aquela atmosfera esportiva. As seletivas, eliminatórias e etc são transmitidas ao vivo nos programas da vênus platinada, mas parece que dessa vez o povo não engoliu. Contrariando a famosa teoria do agendamento, desta vez o poder de fogo da rede não está adiantando muito. Os brasileiros não estão nem aí para o pan.

A jornalista Ane Meira falou para este blog quais são as suas impressões sobre o assunto. Está ou não está havendo agendamento na cobertura do Pan? E você, o que acha? O povo se interessa pela competição?



Você sabe o que é a Teoria do Agendamento?
junho 26, 2007, 4:15 am
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A teoria do agendamento foi formulada nos anos 70 por Maxwell McCombs e Donald Shaw. Sua premissa básica é conhecida por qualquer estudante de comunicação, até porque é bem simples: a mídia não nos diz o que pensar, mas sobre o que pensar.

McCombs e Shaw criaram a teoria a partir da observação de um fato um tanto óbvio: quanto mais um acontecimento é noticiado pela imprensa, mais ele tem importância para o público. É de se estranhar a teoria ser datada do final do século 20, pois os jornais já controlavam a agenda dos leitores desde muito antes.

Porém outros teóricos e jornalistas já tinham chegado a conclusões semelhantes antes da dupla. Em 1922, Walter Lippmann já dizia que as pessoas não respondiam ao mundo real, mas sim a um “pseudo-ambiente criado por imagens em nossas cabeças”. Imagens estas que foram colocadas lá pela imprensa. Bernard Cohen, no anos 60, proferiu a frase que pode ser considerada a pedra fundamental da teoria do agendamento (que é considerada por muitos uma função da mídia, e não uma teoria):

“Na maior parte do tempo, [a imprensa] pode não ter êxito em dizer aos leitores o que pensar, mas é espantosamente exitosa em dizer aos leitores sobre o que pensar

Interessante é observar como as conclusões destes homens foram corretas. O interesse do público por produtos como Big Brother pode ser facilmente explicado pelo agendamento da imprensa.



Categorias paraolímpicas esquecidas pela cobertura do Panamericano
junho 22, 2007, 5:56 pm
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A excessiva cobertura do Panamericano pela mídia (em especial a TV Globo) pode nos levar a pensar que todos os aspectos da competição estão sendo noticiados. Ledo engano. Para início de conversa, o nome da competição é Jogos Panamericanos e Paraolímpicos. Vocês sabiam disso? Ouviram alguma notícia sobre as categorias paraolímpicas? Nem eu.

Desde o ano passado, o rebuliço dos grandes meios de comunicação em torno do Pan é grande. Desde a escolha do nome do mascote, passando por provas classificatórias, a preparação do Rio de Janeiro para receber a competição, cadernos especiais nos jornais e blogs de ex-atletas nos grandes portais de internet. Creio que tanta coisa não se justifica, afinal este espírito olímpico não tomou conta das ruas. Pode ser que com o início dos jogos o povo se empolgue, mas acho difícil. Nós somos o país do futebol, e é difícil qualquer outro esporte receber a mesma atenção do público.

O evento deve ser coberto sim, afinal é sediado no Brasil (e que servirá de teste para uma possível copa do mundo em 2014). Mas deve ser tratado com seriedade. Por que os esportes paraolímpicos só são mostrados em matérias sobre superação? São lindas e emocionantes, mas o esforço desses caras merece mais do que “olhem o coitadinho, superou a deficiência”. Coitadinho é a mãe! Esses atletas treinam e competem como qualquer outro, e merecem tratamento igual.

carlao.jpg

Carlos Oliveira (foto) compete há anos na categoria cadeirante. Este ano, venceu a maratona de Porto Alegre pelo sétimo ano consecutivo, e não saiu uma linha sobre o assunto na mídia impressa. No próximo dia 29, participará do revezamento da tocha do Panamericano em Porto Alegre. Esse é o reconhecimento para um atleta de ponta, que já disputou (e venceu) provas em Nova York, Japão, Europa, etc. Agora só nos resta torcer (e por que não cobrar?) uma cobertura mais completa e verdadeira sobre os verdadeiros heróis olímpicos.