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Espero que o caro leitor deste post não se ofenda. Mas a verdade é que na internet somos todos insetos. Formigas, para ser mais exata. O modelo da hierarquia clássica, ou top-down, onde a formiga-rainha (ou os publicitários, ou os editores dos portais) ditava o comportamento de toda a comunidade, acabou. Claro que tem muito jornal que ainda não acompanhou a evolução, e estes tendem a se tornar obsoletos (sem links para não ofender editores para os quais eu por acaso possa estar trabalhando atualmente). Outros, até tentam acompanhar as tendências da web 2.0, mas o tiro acaba saindo pela culatra. A formiga-mestra está lá, sentada no seu trono, esperando pela comida (ou pelo ouro proveniente dos anunciantes menos antenados), enquanto nós formiguinhas nos divertimos, construindo redes sociais, lendo conteúdo indicado especialmente para nós (e passando adiante, claro, pois nenhuma formiga é feliz sozinha) e comprando de empresas que reconhecem as nossas necessidades. Nós, pequenos insetos, construímos muita coisa em parceria, mas também gostamos de ser reconhecidos como indivíduos singulares. Enquanto a toda-poderosa mantém a pose, nos auto-organizamos em sistemas que tornam o nosso humilde formigueiro uma sociedade de alto-nível, onde tudo funciona sem que haja uma autoridade clara.
Você, caro leitor, deve estar pensando que eu comi chocolate demais nesta páscoa. Mas o culpado pela comparação entre o sistema das formigas e os sistemas emergentes é o semiótico e especialista em literatura inglesa Steve Johnson, que linkou suas idéias no livro “Emergência”. Sim, formigas e usuários de internet têm muito em comum, se levarmos em consideração os serviços onde os usuários determinam os conteúdos. Ou então os sistemas onde o conteúdo é definido de acordo com as preferências destes usuários, como o Last.fm. Johnson, considerado um dos grandes pensadores do cyber-espaço, defende em seu texto o sistema botton-up, onde as ações e idéias do usuário comum, como eu e você, vai definir os rumos da grande rede. A única preocupação do autor, no entanto, é com o crescimento desordenado da rede. Como já sabemos, a cada dia uma infinidade de conteúdos é despejada na internet. Porém, sistemas inteligentes como o Alexa prometem separar o joio do trigo e guiar o usuário médio.
Serviços como o You Tube, o StumbleUpon e o Last.fm já demonstram a força de cada formiguinha na grande rede. Cada vídeo que assistimos, cada música que ouvimos, ou cada texto que indicamos faz diferença no contexto global destes sites. Nossa opinião, somada à opinião dos demais usuários, pode alçar um produto ao topo de um ranking, onde chamará a atenção de outros. Essa bola de neve também é utilizada por algumas empresas, que utilizam o marketing viral para gerar falatório sobre seus produtos. O Last.fm vai mais fundo no princípio dos sistemas emergentes ao utilizar um software que reconhece os padrões dos usuários para testar sua compatibilidade com outros ouvintes e também para oferecer produtos que se encaixem em seu gosto pessoal, conforme já falei em outro post. Falando em compatibilidade, vou agora me afogar em chocolate. Fiquei triste por não ser compatível com o KIDcatholic.Arquivado em: Uncategorized
Vivemos em uma época prolífera em redes sociais. Algumas, como os nacionais Beltrano e Gazzag (alguém lembra?), não emplacaram. Outras, como o Orkut, o Twitter e o My Space, fizeram um sucesso tremendo e se consolidaram como um espaço de troca e relacionamento entre pessoas com interesses comuns na rede. Entretanto, poucas são tão colaborativas quanto o Last.fm, onde a participação e contribuição dos usuários transforma o conteúdo a cada dia.
Os ouvintes da “revolução musical e social” não apenas carregam suas músicas (com apenas 30 segundos, para não ferir as leis de direitos autorais) e vídeos, como montam playlists, divulgam eventos e tagueiam as canções. Nós somos as formiguinhas, e construímos o site diariamente. O bacana da história é que, como Steve Johnson havia pregado em sua teoria dos sistemas emergentes, o software por trás do Last.fm analisa todo o movimento do usuário na rede para sugerir bandas, eventos e vídeos que se encaixam no seu gosto musical e em sua localização física. As possibilidades são infinitas, e tentar listá-las aqui só tornaria esse texto maçante. O legal é sair clicando e descobrir o que o site nos oferece.
Mais bacana ainda é que não precisamos nem estar logados no site para construir nosso histórico de bandas e músicas favoritas. Basta instalar o plugin do Last.fm no seu computador para que todas as músicas do nosso HD constem nas estatísticas para que um perfil mais preciso seja construído. Como vocês podem ver na imagem ao lado, basta o plugin para que a gente adicione mais faixas à nossa playlist e indique as nossas favoritas. E ele, eu garanto, torna a experiência do site muito mais completa e prazerosa. Melhor ainda: se você curte porcarias, pode desativar o plugin e ouvir axé a vontade, que ninguém vai saber.
Ah, sim, podemos adicionar amigos e enviar recadinhos, como em qualquer rede social. Mas essa é a menor das atrações do Last.fm, um prato cheio para os amantes de música e de tecnologia. Mas pode me adicionar à vontade!
