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E aí, caro leitor, como está a preparação para o panamericano na sua casa? Já comprou bandeiras do Brasil para decorar a sala? Não??? Pois não se sinta excluído: o povo ainda não está no clima da competição. Com exceção, claro, da Rede Globo e dos maiores jornais do país.
Para fechar as cotas de patrocínio, desde o ano passado a emissora exibe anúncios e promove eventos para criar aquela atmosfera esportiva. As seletivas, eliminatórias e etc são transmitidas ao vivo nos programas da vênus platinada, mas parece que dessa vez o povo não engoliu. Contrariando a famosa teoria do agendamento, desta vez o poder de fogo da rede não está adiantando muito. Os brasileiros não estão nem aí para o pan.
A jornalista Ane Meira falou para este blog quais são as suas impressões sobre o assunto. Está ou não está havendo agendamento na cobertura do Pan? E você, o que acha? O povo se interessa pela competição?
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A teoria do agendamento foi formulada nos anos 70 por Maxwell McCombs e Donald Shaw. Sua premissa básica é conhecida por qualquer estudante de comunicação, até porque é bem simples: a mídia não nos diz o que pensar, mas sobre o que pensar.

McCombs e Shaw criaram a teoria a partir da observação de um fato um tanto óbvio: quanto mais um acontecimento é noticiado pela imprensa, mais ele tem importância para o público. É de se estranhar a teoria ser datada do final do século 20, pois os jornais já controlavam a agenda dos leitores desde muito antes.
Porém outros teóricos e jornalistas já tinham chegado a conclusões semelhantes antes da dupla. Em 1922, Walter Lippmann já dizia que as pessoas não respondiam ao mundo real, mas sim a um “pseudo-ambiente criado por imagens em nossas cabeças”. Imagens estas que foram colocadas lá pela imprensa. Bernard Cohen, no anos 60, proferiu a frase que pode ser considerada a pedra fundamental da teoria do agendamento (que é considerada por muitos uma função da mídia, e não uma teoria):
“Na maior parte do tempo, [a imprensa] pode não ter êxito em dizer aos leitores o que pensar, mas é espantosamente exitosa em dizer aos leitores sobre o que pensar”
Interessante é observar como as conclusões destes homens foram corretas. O interesse do público por produtos como Big Brother pode ser facilmente explicado pelo agendamento da imprensa.
