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A excessiva cobertura do Panamericano pela mídia (em especial a TV Globo) pode nos levar a pensar que todos os aspectos da competição estão sendo noticiados. Ledo engano. Para início de conversa, o nome da competição é Jogos Panamericanos e Paraolímpicos. Vocês sabiam disso? Ouviram alguma notícia sobre as categorias paraolímpicas? Nem eu.
Desde o ano passado, o rebuliço dos grandes meios de comunicação em torno do Pan é grande. Desde a escolha do nome do mascote, passando por provas classificatórias, a preparação do Rio de Janeiro para receber a competição, cadernos especiais nos jornais e blogs de ex-atletas nos grandes portais de internet. Creio que tanta coisa não se justifica, afinal este espírito olímpico não tomou conta das ruas. Pode ser que com o início dos jogos o povo se empolgue, mas acho difícil. Nós somos o país do futebol, e é difícil qualquer outro esporte receber a mesma atenção do público.
O evento deve ser coberto sim, afinal é sediado no Brasil (e que servirá de teste para uma possível copa do mundo em 2014). Mas deve ser tratado com seriedade. Por que os esportes paraolímpicos só são mostrados em matérias sobre superação? São lindas e emocionantes, mas o esforço desses caras merece mais do que “olhem o coitadinho, superou a deficiência”. Coitadinho é a mãe! Esses atletas treinam e competem como qualquer outro, e merecem tratamento igual.

Carlos Oliveira (foto) compete há anos na categoria cadeirante. Este ano, venceu a maratona de Porto Alegre pelo sétimo ano consecutivo, e não saiu uma linha sobre o assunto na mídia impressa. No próximo dia 29, participará do revezamento da tocha do Panamericano em Porto Alegre. Esse é o reconhecimento para um atleta de ponta, que já disputou (e venceu) provas em Nova York, Japão, Europa, etc. Agora só nos resta torcer (e por que não cobrar?) uma cobertura mais completa e verdadeira sobre os verdadeiros heróis olímpicos.
