Na aula


Agendamento no panamericano?
Junho 26, 2007, 5:03 am
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E aí, caro leitor, como está a preparação para o panamericano na sua casa? Já comprou bandeiras do Brasil para decorar a sala? Não??? Pois não se sinta excluído: o povo ainda não está no clima da competição. Com exceção, claro, da Rede Globo e dos maiores jornais do país.

Para fechar as cotas de patrocínio, desde o ano passado a emissora exibe anúncios e promove eventos para criar aquela atmosfera esportiva. As seletivas, eliminatórias e etc são transmitidas ao vivo nos programas da vênus platinada, mas parece que dessa vez o povo não engoliu. Contrariando a famosa teoria do agendamento, desta vez o poder de fogo da rede não está adiantando muito. Os brasileiros não estão nem aí para o pan.

A jornalista Ane Meira falou para este blog quais são as suas impressões sobre o assunto. Está ou não está havendo agendamento na cobertura do Pan? E você, o que acha? O povo se interessa pela competição?



Você sabe o que é a Teoria do Agendamento?
Junho 26, 2007, 4:15 am
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A teoria do agendamento foi formulada nos anos 70 por Maxwell McCombs e Donald Shaw. Sua premissa básica é conhecida por qualquer estudante de comunicação, até porque é bem simples: a mídia não nos diz o que pensar, mas sobre o que pensar.

McCombs e Shaw criaram a teoria a partir da observação de um fato um tanto óbvio: quanto mais um acontecimento é noticiado pela imprensa, mais ele tem importância para o público. É de se estranhar a teoria ser datada do final do século 20, pois os jornais já controlavam a agenda dos leitores desde muito antes.

Porém outros teóricos e jornalistas já tinham chegado a conclusões semelhantes antes da dupla. Em 1922, Walter Lippmann já dizia que as pessoas não respondiam ao mundo real, mas sim a um “pseudo-ambiente criado por imagens em nossas cabeças”. Imagens estas que foram colocadas lá pela imprensa. Bernard Cohen, no anos 60, proferiu a frase que pode ser considerada a pedra fundamental da teoria do agendamento (que é considerada por muitos uma função da mídia, e não uma teoria):

“Na maior parte do tempo, [a imprensa] pode não ter êxito em dizer aos leitores o que pensar, mas é espantosamente exitosa em dizer aos leitores sobre o que pensar

Interessante é observar como as conclusões destes homens foram corretas. O interesse do público por produtos como Big Brother pode ser facilmente explicado pelo agendamento da imprensa.



Categorias paraolímpicas esquecidas pela cobertura do Panamericano
Junho 22, 2007, 5:56 pm
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A excessiva cobertura do Panamericano pela mídia (em especial a TV Globo) pode nos levar a pensar que todos os aspectos da competição estão sendo noticiados. Ledo engano. Para início de conversa, o nome da competição é Jogos Panamericanos e Paraolímpicos. Vocês sabiam disso? Ouviram alguma notícia sobre as categorias paraolímpicas? Nem eu.

Desde o ano passado, o rebuliço dos grandes meios de comunicação em torno do Pan é grande. Desde a escolha do nome do mascote, passando por provas classificatórias, a preparação do Rio de Janeiro para receber a competição, cadernos especiais nos jornais e blogs de ex-atletas nos grandes portais de internet. Creio que tanta coisa não se justifica, afinal este espírito olímpico não tomou conta das ruas. Pode ser que com o início dos jogos o povo se empolgue, mas acho difícil. Nós somos o país do futebol, e é difícil qualquer outro esporte receber a mesma atenção do público.

O evento deve ser coberto sim, afinal é sediado no Brasil (e que servirá de teste para uma possível copa do mundo em 2014). Mas deve ser tratado com seriedade. Por que os esportes paraolímpicos só são mostrados em matérias sobre superação? São lindas e emocionantes, mas o esforço desses caras merece mais do que “olhem o coitadinho, superou a deficiência”. Coitadinho é a mãe! Esses atletas treinam e competem como qualquer outro, e merecem tratamento igual.

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Carlos Oliveira (foto) compete há anos na categoria cadeirante. Este ano, venceu a maratona de Porto Alegre pelo sétimo ano consecutivo, e não saiu uma linha sobre o assunto na mídia impressa. No próximo dia 29, participará do revezamento da tocha do Panamericano em Porto Alegre. Esse é o reconhecimento para um atleta de ponta, que já disputou (e venceu) provas em Nova York, Japão, Europa, etc. Agora só nos resta torcer (e por que não cobrar?) uma cobertura mais completa e verdadeira sobre os verdadeiros heróis olímpicos.



Jornalismo se aprende em sala de aula sim!
Junho 5, 2007, 12:46 am
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O exercício do jornalismo é complicado. Ao ler uma reportagem – seja em jornal, revista ou internet – não nos damos conta do trabalho por trás daquela matéria. A maioria das pessoas pensa que é simples entrevistar uma pessoa e transformar as suas idéias em poucas palavras. Lamento decepcioná-los, mas não é. A reportagem exige um grande esforço de todos os envolvidos, que vai desde a definição da pauta até a confecção da mesma, passando pela parte mais complicada: a entrevista. Este blog acompanhou o trabalho das estudantes de jornalismo e aspirantes a repórter Juliana Athanasio e Kátia Dalcin na árdua tarefa de produzir uma reportagem para a disciplina de Jornalismo Online.

O primeiro passo foi formar as duplas em aula e definir a pauta. As promissoras jornalistas decidiram desvendar um pouco do ainda novo e praticamente desconhecido curso de Gastronomia oferecido pela Unisinos. O motivo principal da escolha foi a proximidade das cozinhas do curso com o laboratório de informática onde a disciplina é ministrada. Em um primeiro momento, havia se decidido que as pautas ocorreriam dentro do câmpus. Durante a semana, o primeiro empecilho: a coordenação do curso simplesmente não respondia os e-mails que Juliana enviou requisitando a entrevista.                      

Mão na massa 

Na semana seguinte, a prova de fogo. Sem entrevista marcada, e com uma repórter colada nelas, partiram rumo ao centro 2 para tentar entrevistar alguém a respeito da graduação. Acabaram contando com a simpatia do professor Jorge Nascimento, que permitiu que elas invadissem a sua aula para entrevistar os futuros chefs enquanto eles estavam com as mãos na massa, literalmente. Neste momento, foi fácil perceber a diferença entre a personalidade das duas garotas: enquanto Kátia se infiltrava no meio dos fogões para abordar os estudantes, a reservada Juliana fotografava e filmava as entrevistas, intervindo com perguntas apenas quando absolutamente necessário.

O resultado final 

De volta ao laboratório, o desafio era descarregar as fotos e vídeos para selecionar o que vai ao ar. Outro desafio, este encarado com mais humor, foi lidar com o cheiro persistente de frutos do mar entranhado nas roupas e cabelos. O resultado da empreitada das meninas você pode conferir aqui e aqui. Reparem no cuidado que as duas tiveram para que, com o mesmo material em mãos, produzissem conteúdos totalmente diferentes em seus blogs. Este é o desafio para os repórteres de hoje e amanhã: serem únicos e singulares em uma rede tão repleta de informações. Para ter sucesso, principalmente na internet, é importante que cada um encontre a sua cara, o seu tom. Conteúdo exclusivo e de qualidade é o que interessa aos leitores, não importa a mídia. Confira o depoimento das futuras jornalistas:

*Todas as fotos e vídeos dessa reportagem foram produzidos com um celular Nokia 6111. Perdoem a baixa qualidade!